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  • Wálmis

Qual o caminho mítico da nossa identidade nacional?


Quando um povo chega ao ponto de escolher um Wotan* como “pai”, é porque talvez tenha chegado ao limite da psicopatia do patriarcado. Seria uma dádiva que este povo “sem pai”, evoluísse agora para seu momento de repensar sua orfandade, deixasse de projetar sua carência paterna num líder desajustado, cruel, fantasioso, pueril e oportunista.

Este tipo de “liderança” cola nas massas que mais perderam sua identidade cultural, sofreram um

apagamento de sua memória

de origem. Afinal fomos originados de colonizadores que vieram forçados

para cá porque estavam perdidos em sua terra de origem. Massacraram os nativos, trouxeram povos escravizados e depois abandonaram aqui seus filhos mestiços. Após o término do tráfico de escravos, vieram outros povos imigrantes, também fugindo de suas origens e buscando uma nova vida.

Romantizamos nossa mestiçagem, mas esquecemos de manter os valores ancestrais da nossa terra de origem e com isso, reforçamos o preconceito racial fortemente mascarado.

Quando surge uma ideia fascista que insinua poder fazer uma “limpeza” no sistema corrupto ao qual nos submetemos, ela rapidamente impele a massa a projetar sua sombra no de fora. A massa coletiva cria então uma ilusão de superar seu vazio paternal com violência e força bruta.

A massa nunca conseguirá por si, enxergar que todo seu vazio sombrio tem origem na ausência de uma educação, onde desde tenra idade deveríamos aprender a não negar nosso passado, projetando nossa sombra nos outros. Uma educação onde nos fosse ensinado também a valorizar a herança matriarcal, o olhar para dentro, exercitar a autocrítica, reconhecer nossas limitações e não desprezar nossas raízes e valores culturais ancestrais. Por isso a massa supõe que fará a “limpeza” eliminando o outro, onde projetou sua própria sombra.

Esta onda oportunista hoje é reforçada pelo excesso de informação, onde não se consegue mais ter senso crítico, onde a mentira tão repetida se torna a verdade imediata que preenche o vazio. Assim a roda gira, quem dera que fosse em espiral !


* Wotan - em seu aspecto sombrio, é deus da guerra e da morte na mitologia nórdica.

"Pai de todos" que finge emoções e gera corrupção, construiu um grande castelo para ser admirado pelas altas classes sociais e às vezes anda disfarçado em homem do povo.


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