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Kuan Yin - Arquétipo da Compaixão


Kuan Yin - mitologia chinesa

Kannon - mitologia japonesa


No Sutra do Lótus (texto do budismo mahayana) descreve um bodisatva (bodhi - iluminado e satva - ser); que se iluminou e está prestes a deixar o samsara (roda de reencarnação). Este arquétipo é Avalokiteshvara (aquele que escuta os clamores do mundo) e ele resolve permanecer no mundo por compaixão a todos seres viventes que não encontraram o caminho do nirvana. Quando ocorre uma necessidade arquetípica, pelo inconsciente coletivo humano, geralmente se manifesta uma imagem em diferentes aspectos nas diversas culturas e geralmente ela necessita de símbolos masculinos e femininos. Em Tóquio no ano de 628, foi encontrado por dois pescadores em sua rede (emergindo das águas do inconsciente), uma imagem de Kannon, aspecto feminino de Avalokiteshvara. Total semelhança com a história da Virgem de Aparecida que ocorreria mil anos depois no Brasil, pela mesma necessidade de manifestar este arquétipo feminino de compaixão.

= Kannon ganhou o Templo Sensoji em Asakusa - Tóquio

e a Senhora Aparecida,

tem seu Santuário na cidade de

Aparecida do Norte -São Paulo =


Elas se sincretizam também em Maria Kannon, Quando ela carrega um bebê nos braços com babador vermelho (símbolo da proteção) que foi a imagem utilizada pelos Kakure Kirishitan (cristãos escondidos) no Japão no período em que o cristianismo foi reprimido.

São várias as representações de Kuan Yin ou Kannon, sentada sobre a flor de lótus, ela traz o simbolismo do “ouro da sombra” a flor maravilhosa que surge da lama. Segurando o galho de salgueiro ou chorão, o símbolo de virtude, aquele que sente as dores do mundo e se manter resiliente. A Kannon de onze cabeças (para que ela pudesse ouvir a todos) e em seguida surge a imagem de mil braços para que ela dê conta de todos os clamores da humanidade. Quando ela se apresenta com o dragão e o jarro de líquido, simboliza a transcendência (dragão) e a doação (jarro) da sabedoria.

Kuan Yin tem mil braços e mil olhos, assim como um pavão. A máquina fotográfica que ganhou seu nome (originalmente Kwanon), vem como símbolo de seu “olhar profundo e transcendente sobre tudo”, este fato se deve à devoção do fundador (Takeshi Mitarai), desta fábrica pela deusa Kannon.

Jung nos conta nas entrevistas do livro “Sobre Sonhos e Transformações”, que Kuan Yin é tanta compaixão que ela se disfarça de um mau espírito para poder alimentar os espíritos decaídos sem assustá-los, usando uma pele de animal como rabo. Ele nos diz que o “si mesmo” se parece muito com as xilogravuras japonesas, onde Kuan Yin vaga no submundo disfarçada em demônio enquanto um fino fio a liga nas alturas à sua imagem prateada na lua.

Podemos encontrar esta conexão com o arquétipo que necessitamos a todo momento, buscando em nossa essência interior e utilizando o simbolismo das imagens em nosso ambiente.


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